Novo Eu:


Olho-me ao espelho... Vejo um corpo sem vida, sem animo, sem vontade, enfim um ser que já não reconheço mais. Sinto a solidão a apoderar-se de novo do meu ser. Minha alma fica corrupta aos poucos, minha mente confusa e o meu corpo transforma-se numa marioneta.  Miro o meu reflexo na água que se encontra quase congelada e vejo uns olhos bassos, um sorriso desaparcido, uma vontade de viver destruida.

Oisso vozes na minha mente que me alegram por momentos, mas quando se calam só oisso a voz da solidão, da saudade e do desespero. Desespero? Talvez não seja a palavra certa, mas a dor é tanta que o tamanho dela começa a ocupar o lugar onde outros sentimentos deveriam estar, daí se começar a tornar um peso desesperávelmente grande para alguém trazer no seu peito.

As minhas faces onde outrora eram rios salgados está agora seca, fria e sem expressão. Meu olhos onde outrora estava um brilho e uma vontade de viver iterminável estão bassos como calçada.

Sento-me à beira de um penhasco sem saber se continuo num último salto de fé o se deixo o desafio de uma vida para trás. Eu não sou muito crente, mas agora até Deus me ouve, ou pelo menos eu tento com que me oissa. O meu caminho teima de novo em fechar as portas que permitiram que pessoas se junta-se a mim na minha jornada. Muitas já se fecharam e outras ficam abertas num último laivo de esperança e animo.

Vejo o meu mundo a ficar mais fechado, a assemelhar-se ao que em tempos foi. Luto para que não aconteça, mas as minhas forças para o manter estão a escasear. Sabes que mais? Ontem acordava com um sorrizo no rosto, um saltitar sem explicação, uma felicidade sem razão. Hoje acordo sem vontade de sorrir, sem vontade de dançar, sem vontade de ser feliz. O que temo agora... é o amanhã.

O meu mar de palavras que eu julgava interminável começa a secar e este meu porto de abrigo começa a fechar a porta aos poucos. Vejo o nivel destas águas descer a olhos vistos e com elas vejo as palavras desaparcerem, a fala a desaparcer, assim como o pensamento.

Estou neste momento sem vontade. Sem vontade de acordar amanhã de uma noite de sono, mas tenho de o fazer, mesmo que para isso me tenha de tornar mais uma pessoa ordinária, mais uma daquelas pessoas que só acordam para ver mais um dia terminado, para ficarem à espera que não precisem de acordar mais.

 

- Devil Angel